ALTER DO CHÃO - por Gabi
Conhecer Alter do Chão, no Pará, foi uma expansão profunda no meu jeito de pensar o meu país. Foi como se o Brasil tivesse se apresentado de novo para mim, com outras cores, outros ritmos e outra lógica de tempo.
Logo na chegada, fui recebida por uma noite de carimbó. A pousada onde eu estava me disse, com a maior naturalidade do mundo: “Tem uma saia de carimbó no seu armário, pode levar pra roda hoje”. E eu fui. Sem nunca ter dançado carimbó antes, me lancei no meio da roda assim que cheguei. O corpo foi aprendendo sozinho, guiado pelo som do tambor, pelos sorrisos, pelo calor da noite. Foi uma chegada maravilhosa, daquelas que já dizem muito sobre o lugar.
Nos dias seguintes, me banhei no Rio Tapajós, de águas doces e imensas, que mais parecem um mar tranquilo. Curti as praias de areia branca, tão surreais que às vezes eu esquecia que estava no meio da Amazônia. Experimentei chocolates feitos com todos os tipos de frutas da região, sabores que eu nem sabia que existiam. Ouvi histórias e lendas dos botos encantados, dessas que ficam ecoando na cabeça mesmo depois que o dia acaba.
Vivi as cores: do céu, da água, das roupas, das frutas, das casas. Tomei açaí de verdade, forte, sem açúcar, entendendo finalmente por que ele é quase sagrado ali. Alter do Chão não foi só uma viagem, foi um encontro, com a cultura, com a natureza e com uma parte do Brasil que me ensinou a olhar mais devagar e com mais presença.